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O selénio tem impacto positivo na tensão arterial e na circulação

O selénio tem impacto positivo na tensão arterial e na circulaçãoA hipertensão e outras doenças cardiovasculares são as principais causas de morte. A alimentação e o estilo de vida são extremamente importantes, e também parece haver relação directa entre o aporte de selénio e o risco de aparecimento de hipertensão, segundo um estudo populacional publicado em Frontiers in Immunology. Os autores também referem o papel do selénio relativamente à tensão arterial; e porque a carência de selénio é bastante comum, esta relação precisa de ser analisada mais de perto.

Os cientistas têm debatido o papel do selénio na tensão arterial, pelo que pretenderam analisar mais de perto esta relação, num grande estudo representativo da população americana. Para tanto, os autores recolheram os dados no estudo NHANES (National Health and Nutrition Examination Survey) que estudou a alimentação e o estado de saúde da população durante um período de muitos anos. No estudo dos diversos dados, os investigadores examinaram o aporte diário de selénio na alimentação e compararam-no com a taxa de hipertensão. O estudo abrangeu 33.000 participantes, dos quais 37 por cento com história de hipertensão. Os participantes foram divididos em quatro grupos (quartis), dependendo do aporte de selénio alimentar obtido. Verificou-se que por cada aumento do quartil, a tensão arterial era mais baixa. Os participantes do quarto quartil com o maior aporte de selénio (139-400 microgramas/dia) tinham uma taxa de hipertensão 20 por cento inferior comparativamente ao primeiro quartil, com o aporte mais baixo (menos de 75 microgramas por dia).
Os cientistas não observaram uma relação significativa entre sexo, idade, IMC, hábitos tabágicos, consumo de álcool, e diabetes tipo 2 no que respeita a relação entre o aporte diário de selénio e a taxa de hipertensão.
Daí terem concluído que há uma relação directa entre o aporte diário de selénio e a taxa de hipertensão.

  • Segundo a OMS, mais de 1,3 mil milhões de pessoas têm hipertensão
  • A patologia afecta principalmente pessoas de mais idade – se bem que esteja a aumentar entre os mais jovens
  • A hipertensão é uma bomba-relógio, dado que muitas pessoas desconhecem que a têm
  • A hipertensão representa 14% da mortalidade global

'A dose diária de selénio recomendada é insuficiente relativamente à tensão arterial

Segundo as Novas Recomendações Nórdicas do Nutriente (2023), o aporte diário de selénio deve ser de, pelo menos, 90 microgramas para o homem e 75 microgramas para a mulher. Todavia, segundo o novo estudo, os maiores benefícios para a tensão arterial observam-se com um aporte diário de selénio na ordem dos 139-400 microgramas. Esta dose é muito superior à recomendada. A OMS estabeleceu a dose máxima tolerada de 400 microgramas por dia.
Além disso, existem grandes variações globais no teor de selénio no solo agrícola, sendo que é muito elevado em muitas regiões dos Estados Unidos. E isto reflecte-se em toda a cadeia alimentar. Daí que, nos Estados Unidos, muitas pessoas obtenham mais selénio do que as pessoas na Europa, onde o solo é pobre em selénio. O europeu médio toma 200 microgramas diários de selénio como suplemento, o aporte total de selénio na alimentação e de suplementos corresponde ao quarto quartil do estudo.

Porque é que o selénio é benéfico para a tensão arterial e circulação?

O selénio favorece várias proteínas que contêm selénio, que são importantes para a renovação energética, sistema imunitário, função tiroideia, e muitas outras funções fisiológicas. O selénio também integra certos antioxidantes muito potentes (GPXs) que protegem as células de danos do stress oxidativo e dos radicais livres.
A hipertensão está associada a reacções imunológicas indesejadas, inflamação crónica e stress oxidativo. Estes factores também estão relacionados com as consequências da hipertensão, como lesão cardíaca, AVC e lesão renal. Por conseguinte, o selénio protege contra a hipertensão em vários sentidos. O selénio tem mais eficácia quando tomado em associação com Q10.

Q10 e selénio reduzem a mortalidade cardiovascular em 50 por cento

O Prof. Urban Alehagen, cardiologista sueco, e respectiva equipa de cientistas realizaram um estudo controlado com placebo (KiSel-10), em que um grande grupo de idosos recebeu um suplemento diário de levedura de selénio (200 microgramas) e Q10 de qualidade farmacêutica (200 mg). Na Suécia, as terras de cultivo são muito pobres em selénio, e as pessoas de mais idade têm baixas concentrações de Q10, pelo que faz todo o sentido os dois nutrientes em associação. O selénio e o Q10 também actuam em sinergia no metabolismo energético e como antioxidantes. Este estudo de cinco anos mostrou que os que receberam selénio e Q10 tinham uma taxa de mortalidade cardiovascular 54 por cento inferior comparativamente aos que receberam placebo.
Este estudo inovador, publicado na International Journal of Cardiology, levou a inúmeros estudos de seguimento que mostraram que os dois suplementos têm, entre outras coisas, efeitos positivos na esperança de vida. Os investigadores também analisaram mais de 50.000 amostras de sangue congeladas, em que procuraram diversos biomarcadores, e constataram que o selénio e Q10 têm impacto positivo no stress oxidativo, na saúde circulatória e na função cardíaca.

Referências bibliográficas:

Yilin Wu, Zongliang Yu. Association between dietary selenium intake and the prevalence of hypertension: results from the National Health and Nutrition Examination Survey 2003-2018. Frontiers in Immunology. 2024

Nordic Council of Ministers. Nordic Nutrition Recommendations 2023

Urban Alehagen et al. Improved cardiovascular health by supplementation with selenium and coenzyme Q10: applying structural equation modeling (SEM) to clinical outcomes and biomarkers to explore underlying mechanisms in a prospective randomized double-blind placebo-controlled intervention project in Sweden. European Journal of Nutrition. 2022

Alehagen U, et al. Cardiovascular mortality and N-Terminal-proBNP reduced after combined selenium and coenzyme Q10 supplementation. International Journal of Cardiology, 2013.



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