O Q10 reduz os efeitos secundários dos antidislipidémicos
As estatinas (antidislipidémicos) estão associadas a efeitos secundários como dor muscular, fadiga, problemas de memória, diabetes, e dormir mal. A nível molecular, estes medicamentos afectam a síntese de Q10, pelo organismo, que é necessária para a renovação energética celular. Além disso, o Q10 é um antioxidante potente que protege as células contra a acção nociva dos radicais livres. Segundo um artigo de revisão, publicado no jornal científico Cureus, os suplementos de Q10 podem reduzir os efeitos secundários, como dor muscular.
O colesterol é um composto essencial, necessário para a integridade da membrana celular e para sintetizar a vitamina D, Q10 e hormonas esteróides, como cortisol, testosterona e estrogénio.
Obtemos colesterol de fontes alimentares de origem animal, mas a maior parte do colesterol do organismo é sintetizada no fígado. O colesterol é transportado por proteínas transportadoras (lipoproteínas). A LDL (lipoproteína de baixa densidade) transporta o colesterol para as células, e a HDL (lipoproteína de alta densidade) leva o colesterol de volta para o fígado. É importante que as duas proteínas estejam em equilíbrio, sendo que é muito natural que o colesterol total (soma dos dois tipos) do organismo aumente com a idade. Níveis de colesterol elevados constituem um tema controversos, e o limiar baixou. É por isso que as estatinas estão entre os antidislipidémicos mais utilizados, simplesmente porque é opinião geral que o colesterol elevado pode conduzir a aterosclerose, doença cardiovascular, coágulos e AVC.
As estatinas actuam ao bloquear a HMG-CoA, que é a coenzima que intervém na síntese de um precursor do colesterol, o mevalonato. As estatinas conseguem fazer baixar os níveis de colesterol em 30-50 por cento. Regulam, igualmente, as funções das células endoteliais e os processos inflamatórios, importantes para o sistema cardiovascular. Dado que as estatinas bloqueiam todas as outras funções e compostos que dependem do colesterol, estes fármacos provocam uma série de efeitos secundários, como:
- Dor ou fraqueza musculares
- Rabdomiólise – destruição do tecido muscular e libertação de mioglobina, o que pode provocar lesão renal
- Lesão hepática
- Diabetes
- Impotência
- Cansaço e falta de memória
- Perturbações do sono
A doença muscular (miopatia) é um dos efeitos secundários mais frequentes da utilização de estatinas, que afecta cerca de 30 por cento dos doentes. Uma das razões para o problema é que as estatinas bloqueiam a síntese endógena de Q10. O Q10 é parte essencial da renovação energética celular, e, como os músculos consomem muita energia durante a actividade física, são sensíveis à falta de Q10. Além disso, o Q10 é um antioxidante potente que protege as células e o sistema circulatório contra lesão causada pelos radicais livres e stress oxidativo.
A falta de Q10 dá origem a diminuição da renovação energética nos músculos e outros tecidos. Também aumenta a vulnerabilidade a lesão celular. É tudo isto em conjunto que provoca os efeitos secundários musculares. Não admira que um em cinco utilizadores de estatinas suspenda a utilização de estatinas após um período de cerca de 12 meses.
O novo estudo visou investigar de que modo a suplementação com Q10 tem influência nas pessoas com história de efeitos secundários induzidos por estatinas, como miopatias.
O Q10 reduz a miopatia
Através da pesquisa em diversas bases de dados, incluindo Medline, PMC, PubMed, Science Direct, e Google Scholar, os investigadores reuniram dados de estudos de adultos utilizadores de estatinas que tinham feito suplementos de Q10 para a mialgia. Todos os estudos seleccionados, que incluíram uma metanálise e quatro estudos controlados, tinham sido publicados entre 2010 e 2023 e integraram 800 doentes. Estes tomaram, em média, 100-200 miligramas de Q10 ou placebo durante 3-6 meses. Segundo os resultados do estudo, a suplementação com Q10 conseguiu melhorar a miopatia induzida por estatinas e neutralizar o stress oxidativo e disfunções das mitocôndrias energéticas das células. Além disso, o Q10 pode aumentar os níveis de HDL e melhorar a metabolização da vitamina C e vitamina E, ambas importantes para protecção antioxidante das células musculares.
O organismo tem dificuldade em absorver Q10. Daí ser importante optar por um suplemento com absorção e biodisponibilidade comprovadas, por forma a garantir que as moléculas de Q10 chegam ao sangue e são transportadas para as células musculares e outras células onde o Q10 é necessário.
O que torna o colesterol um risco cardiovascular?
Existe grande debate sobre os níveis de colesterol e respectiva influência. A LDL só se torna um risco se oxidar. A oxidação degrada o colesterol, tornando-o inútil para as suas muitas funções. Em vez de ser utilizado eficazmente, deposita-se nas paredes dos vasos sanguíneos. É, portanto, o colesterol oxidado que cria condições para a aterosclerose. Não é o nível elevado de colesterol que é o problema.
Fontes:
Khoula Ahmad et al. Effectiveness of Coenzyme Q10 Supplementation in Statin-Induced Myopathy: A Systematic Review. 2024
Jan Aaset, Jan Alexander, Urban Alehagen. Coenzyme Q10 supplementation – In ageing and disease. Mechanisms of Ageing and Development. 2021
Lain Hargreaves et al. Disorders of Human Coenzyme Q10 Metabolism: An Overview. International Journal of Molecular Sciences. 2020
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